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R$ 411 bilhões em crédito imobiliário: por que o mercado segue aquecido mesmo com a Selic a 14%?

O crédito imobiliário brasileiro surpreende em 2026: mesmo com juros altos, o volume financiado cresce e a projeção do setor chega a R$ 411 bilhões. Entenda o que está por trás desse movimento.

Redação IUNA · 11 de setembro de 2026 · 7 min de leitura

# R$ 411 bilhões em crédito imobiliário: por que o mercado segue aquecido mesmo com a Selic a 14%?

Juros altos costumam esfriar compras financiadas. Por isso, à primeira vista, o cenário brasileiro de 2026 parece contraditório: a Selic está em 14% ao ano, o crédito segue caro e, ainda assim, o **mercado imobiliário continua movimentando volumes expressivos**.

A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) elevou sua projeção para o crédito imobiliário em 2026 para aproximadamente **R$ 411 bilhões**, o que representa uma expectativa de crescimento de 25% nas concessões em relação ao ano anterior.

Só em julho, os financiamentos com recursos da poupança somaram cerca de **R$ 20,96 bilhões**, o maior volume para um mês de julho na série histórica divulgada pela entidade. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, o volume chegou a aproximadamente **R$ 115,5 bilhões**.

A pergunta é inevitável: **por que tanta gente continua comprando imóvel mesmo com juros elevados?**

O imóvel continua sendo uma decisão de vida, não apenas uma conta de juros

Comprar um imóvel raramente é uma decisão puramente financeira. Para muitas famílias, a compra está ligada a mudança de cidade, casamento, crescimento da família, necessidade de mais espaço, saída do aluguel ou busca por segurança patrimonial.

Isso ajuda a explicar por que a demanda não desaparece simplesmente quando a taxa básica de juros sobe.

O comprador pode adiar uma decisão por alguns meses, reduzir o valor do imóvel procurado ou aumentar a entrada, mas uma parcela relevante do mercado continua precisando comprar.

O financiamento imobiliário encontrou outras fontes de força

Outro ponto importante é que o crédito imobiliário brasileiro não depende apenas da Selic.

Recursos do **SBPE, FGTS e programas habitacionais** continuam sustentando boa parte das operações. A Abecip também destaca mudanças na estrutura de funding do setor e o crescimento de diferentes fontes de recursos para habitação.

Isso significa que juros altos dificultam a compra, mas não interrompem completamente o fluxo de financiamento.

R$ 20,96 bilhões em um único mês chamam atenção

Os dados de julho de 2026 ajudam a dimensionar o movimento.

Segundo a Abecip, os financiamentos imobiliários realizados com recursos do SBPE atingiram aproximadamente **R$ 20,96 bilhões no mês**, avanço de quase 77% na comparação com julho do ano anterior.

Também foram financiadas cerca de **57,9 mil unidades** no período.

Esses números não significam que todo segmento imobiliário esteja aquecido da mesma forma. Região, faixa de preço, disponibilidade de crédito, renda do comprador e tipo de imóvel continuam fazendo enorme diferença.

Mas eles mostram que existe dinheiro circulando no setor — e bastante.

O comprador está se adaptando

Quando o crédito fica caro, o consumidor muda o comportamento.

Alguns compradores aumentam a entrada. Outros procuram imóveis menores, bairros próximos aos originalmente desejados ou unidades com maior margem de negociação. Há também quem compare a prestação do financiamento com o aluguel que já paga.

Para o corretor, isso muda a abordagem comercial.

Não basta perguntar apenas “qual imóvel você quer?”. É cada vez mais importante entender:

  • quanto o cliente possui para entrada;
  • qual parcela mensal é confortável;
  • se pretende financiar;
  • qual prazo tem para comprar;
  • quais características são realmente indispensáveis;
  • em quais pontos existe flexibilidade.

Quanto melhor a qualificação do cliente, menor o tempo perdido com imóveis incompatíveis.

E o mercado de imóveis novos também segue vendendo

Dados divulgados no setor mostram que o mercado residencial de imóveis novos também avançou no primeiro semestre de 2026.

Foram mais de **226 mil unidades residenciais novas vendidas** no período, com crescimento em relação ao primeiro semestre de 2025. O Minha Casa, Minha Vida teve participação relevante nesse resultado.

Ou seja: mesmo com o custo do dinheiro elevado, existe demanda real em diferentes faixas do mercado.

O que isso significa para o corretor de imóveis?

O momento exige mais organização comercial.

Quando há compradores no mercado, mas o crédito é mais seletivo, a qualidade do atendimento pesa ainda mais. O profissional precisa identificar rapidamente quais clientes estão prontos, quais dependem de financiamento, quais precisam vender outro imóvel antes e quais estão apenas começando a pesquisar.

Também aumenta a importância de acompanhar leads ao longo do tempo.

Um cliente que não consegue comprar hoje pode se tornar uma oportunidade daqui a alguns meses. Se esse contato ficar perdido em uma conversa antiga de WhatsApp, o corretor provavelmente perde a retomada.

Por isso, **CRM imobiliário, follow-up, carteira organizada e registro de preferências** deixam de ser apenas ferramentas administrativas e passam a fazer parte da estratégia de vendas.

Mercado aquecido não significa venda automática

Os números bilionários impressionam, mas não significam facilidade.

Um mercado com muito crédito pode continuar altamente competitivo. O imóvel precisa estar bem apresentado, o preço precisa fazer sentido e o atendimento precisa ser rápido.

Para o proprietário, isso significa que anunciar sem estratégia pode prolongar a venda.

Para o comprador, significa que boas oportunidades podem receber atenção rapidamente.

E para o corretor, significa que organização e velocidade fazem diferença.

A oportunidade está nos dados e no acompanhamento

O dado mais importante talvez não seja apenas os R$ 411 bilhões projetados. É perceber que, mesmo em um ambiente de juros elevados, o mercado imobiliário brasileiro continua encontrando caminhos para financiar compradores e movimentar negócios.

Quem trabalha no setor precisa acompanhar esse movimento de perto e transformar informação em ação: captar bons imóveis, organizar clientes, fazer follow-up e acompanhar negociações sem depender da memória.

A **IUNA** foi criada para reunir essas etapas em um único ambiente: carteira de imóveis, proprietários, CRM, captação, Radar, tarefas, divulgação e acompanhamento comercial.

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Fontes consultadas

  • Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), dados e projeções de crédito imobiliário divulgados em agosto de 2026.
  • Dados do setor de imóveis residenciais novos divulgados pela CBIC e repercutidos pela Abecip em agosto de 2026.

*Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação individual de compra, venda ou investimento.*

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